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Lesão do manguito rotador

Lesão do manguito rotador

As roturas do manguito rotador, atualmente, são reparadas por artroscopia (cirurgia por vídeo), na grande maioria dos casos. Embora não haja evidência científicas de que o reparo feito por artroscopia leva a melhores resultados que aqueles feitos por via aberta, a artroscopia tem diversas vantagens sobre a técnica aberta. Entre estas vantagens, podemos citar:

  • Melhor resultado estético, pois apenas pequenas incisões são feitas na pele;
  • Menor agressão cirúrgica;
  • Menor risco de complicações, como a deiscência do deltoide (quando o deltoide se solta do osso onde se insere, levando a maus resultados). Enquanto isto pode ocorrer na cirurgia aberta, na cirurgia feita por artroscopia esta possibilidade não existe, posto que a inserção de deltoide não é violada);
  • Possibilidade de tratar múltiplas lesões ao mesmo tempo, tanto dentro como fora da articulação.

Antes do início da artroscopia, o paciente é devidamente monitorizado e um acesso venoso confiável é estabelecido pelo médico anestesista. Em seguida, iniciam-se os procedimentos anestésicos propriamente ditos. Dois métodos de anestesia são utilizados concomitantemente. Em primeiro lugar, o paciente é submetido ao bloqueio do plexo braquial – trata-se da anestesia do conjunto de nervos que vão para o ombro e todo o membro superior, deixando todo o membro “insensível” e, assim, impedindo a ocorrência de dor. Atualmente, são utilizados métodos que auxiliam o médico anestesista a reduzir a dose de anestésicos necessária, bem como seus efeitos adversos. Um destes métodos é o uso de ultrassom para guiar o bloqueio. Utilizando este recurso, o anestesista pode localizar com precisão o conjunto de nervos que suprem a região do ombro e, então, apenas aplicar anestésicos em torno deles. O bloqueio do plexo braquial pode durar entre 12 e 18 horas; neste período a sensibilidade e a motricidade do membro superior estará pelo menos parcialmente comprometida. Ao fim deste período, há recuperação completa da função neurológica.
Depois de realizado o bloqueio do plexo braquial, o médico anestesista procede à realização da anestesia geral, quando, então, todas as funções orgânicas do paciente passam a ser controladas pela equipe de anestesiologia, através de modernos equipamentos presentes no centro cirúrgico. Todos os parâmetros respiratórios e cardiovasculares do paciente, como frequência cardíaca e pressão arterial, são controlados de perto pelos médicos anestesistas. Assim que termina a cirurgia, a anestesia geral é interrompida e o paciente retoma seu nível de consciência.
Uma vez anestesiado, o paciente é posicionado para a cirurgia. A artroscopia é realizada com o paciente semissentado, uma posição corriqueiramente conhecida como “cadeira de praia” (beach chair position). Então, toda a região é limpa com substâncias antissépticas e campos cirúrgicos estéreis são colocados sobre paciente, deixando apenas o ombro de fora. Do outro lado dos campos cirúrgicos, os anestesiologistas têm acesso direto à cabeça do paciente. Uma pequena incisão (< 1cm), chamada de portal, é realizada na região posterior do ombro do paciente, por onde é introduzida a câmera. As imagens do interior da articulação captadas pela câmera são projetadas em um monitor (semelhante a um aparelho de televisão) e o cirurgião identifica e trata todas as lesões existentes. Em seguida a câmera é retirada da articulação e introduzida na bursa subacromial. É neste ponto da cirurgia que é feito o reparo da rotura dos tendões do manguito rotador, além da retirada da bursa inflamada (bursectomia) e da raspagem do esporão acromial (acromioplastia). Em casos de artrose acromioclavicular dolorosa, a extremidade lateral da clavícula também pode ser removida para resolução dos sintomas. O manguito rotador é fixado ao osso através de âncoras, que são pequenos parafusos que trazem um par de fios ultrarresistentes. Estes fios são passados através dos tendões rompidos e, quando amarrados, levam os tendões de encontro ao osso. Existem várias técnicas e tipos de âncoras disponíveis e cada caso deve ser avaliado individualmente para a escolha do que mais lhe será adequado. Após a cirurgia, o paciente poderá permanecer entre 4 e 8 semanas imobilizado em tipoia (FIGURA), a fim de permitir a cicatrização dos tendões. Durante este período, o paciente é instruído a retirar a imobilização para realizar exercícios, que são gradualmente introduzidos pelo cirurgião. Há de se esclarecer que, ao fim deste período de imobilização, a cicatrização não estará concluída, mas ao menos adiantada, permitindo que o paciente realize movimentos ativos, sem, no entanto, realizar esforços. A realização de esforços pelo paciente apenas será permitida 3 a 4 meses após a cirurgia. Em média, a recuperação é considerada completa cerca de 6 meses após a cirurgia.