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Lesão SLAP

Lesão SLAP

Lesão SLAP é a ruptura da região superior do lábio glenoidal. Neste texto, serão abordados aspectos relativos ao tratamento cirúrgico desta lesão. Para ler mais sobre a lesão em si, suas causas, sintomas e tratamento, consulte a seção Entenda Sua Doença.

Quando está indicado o tratamento cirúrgico da lesão SLAP?

Como já mencionado, o tratamento inicial da lesão SLAP deve ser conservador, sem cirurgia. Este tipo de tratamento tem se mostrado eficaz em solucionar o quadro doloroso do paciente. Entretanto, alguns pacientes poderão persistir com dor mesmo após a adequada abordagem fisioterápica. Isto é, um tratamento fisioterápico regular, realizado em 2 a 3 sessões semanais, durante pelo menos 3 a 6 meses. Estes casos, poderão se beneficiar da cirurgia.

Quais são os métodos cirúrgicos disponíveis?

O tratamento cirúrgico da lesão SLAP é feito exclusivamente por artroscopia, isto é, auxiliada por vídeo, já que durante procedimentos abertos a lesão sequer é encontrada. O método escolhido depende de vários fatores, entre os quais o tipo de lesão

SLAP Tipo I

Raramente requer tratamento cirúrgico. Quando é o caso, muitas vezes, realiza-se apenas uma desbridamento do lábio superior, regularizando esta estrutura com o objetivo de equilibrar a transmissão de forças no local.

SLAP Tipo II

Tradicionalmente, o tratamento cirúrgico deste tipo de SLAP consiste em fixar o lábio rompido de volta ao osso glenoidal. Isto é obtido com uso de âncoras, geralmente bioabsorvíveis (vídeo 1). Entretanto, estudos têm mostrado que alguns pacientes podem persistir com dor residual mesmo após este tipo de procedimento. Sabe-se que o risco de que isto ocorra é maior caso o paciente tenha mais de 30 ou 40 anos de idade, dependendo do estudo científico consultado. Nestes pacientes, o lábio superior e o próprio bíceps já têm alterações degenerativas por desgaste, o que poderia explicar a dificuldade em solucionar todos os sintomas após a cirurgia.
Portanto, nestes pacientes, o procedimento mais realizado é a tenodese da porção longa do bíceps. Este procedimento consiste em soltar o bíceps de sua inserção no lábio superior e prendê-lo no úmero. Desta forma, o bíceps deixa de tracionar o lábio superior rompido, que, então, deixa de ser doloroso. Há várias formas de fixar o bíceps no úmero: amarrá-lo em tendões ou ligamentos próximos; fixá-lo com âncoras; fixa-lo com parafuso de interferência; entre outros. O método de minha preferência é a fixação do bíceps no úmero com parafuso de interferência (vídeo 2). Estudos biomecânicos mostraram que a fixação com parafuso de interferência é mais resistente que outras formas de fixação.

SLAP Tipo III

Geralmente, apenas se realiza a retirada do fragmento rompido do lábio, isto é, a “alça de balde”. O restante do lábio permanece inserido em sua localização normal.

SLAP Tipo IV

Neste tipo de lesão, há comprometimento (rotura) também do tendão do bíceps braquial. Caso a rotura comprometa menos de 50% do tendão, o tratamento é o mesmo do indicado no tipo III. Caso a rotura do bíceps acometa mais de 50% do tendão, então, é mais indicado realizar a tenodese do bíceps, conforme já descrito para o tipo II.
Como é a recuperação pós-operatória?
Em geral, utiliza-se tipoia durante 4 a 6 semanas. Logo no primeiro dia após a cirurgia, exercícios para cotovelo, punho e mão devem ser realizados para evitar que estas articulações fiquem rígidas. Duas semanas após a cirurgia, exercícios passivos para o ombro são iniciados. Após a retirada da tipóia, o paciente é encaminhado à fisioterapia para recuperação da mobilidade articular indolor. Em geral, cerca de 3 meses após o procedimento, ainda na fisioterapia, são iniciados exercícios de reforço muscular do ombro, incluindo o bíceps. Caso não haja contratempos, entre 4 e 6 meses após a cirurgia o paciente estará apto à prática de musculação. Esportes de arremesso poderão ser retomados após período variável de musculação e treinamento funcional voltado à prática desportiva específica do paciente.
Vídeo 1: fixação do lábio glenoidal na lesão SLAP.

Vídeo 2: tenodese da cabeça longa do bíceps como tratamento da lesão SLAP.